Newsletter Nº396

Newsletter Nº396
News­let­ter Nº396

Faz hoje anos que nas­cia, em 1743, o quí­mi­co ale­mão Mar­tin Hein­ri­ch Kla­proth. Ele é con­si­de­ra­do o fun­da­dor da quí­mi­ca ana­lí­ti­ca, ten­do des­co­ber­to o urâ­nio (1789), zir­có­nio (1789), cério (1803), e con­tri­buí­do para a iden­ti­fi­ca­ção de outros. Embo­ra não os tenha iso­la­do como amos­tras de puro metal, foi capaz de os reco­nhe­cer como novos ele­men­tos. Aos 16 anos, foi apren­diz de boti­cá­rio. Depois de ler quí­mi­ca em Hano­ver, ins­ta­lou-se em Ber­lim (1771) e come­çou a sua pró­pria loja de boti­cá­rio (1780). No final de 1780, era o prin­ci­pal quí­mi­co ana­lí­ti­co da Euro­pa. Kla­proth encon­trou for­mas de tra­tar com­pos­tos par­ti­cu­lar­men­te inso­lú­veis, teve o cui­da­do de evi­tar a con­ta­mi­na­ção pelo seu apa­re­lho, e insis­tiu sig­ni­fi­ca­ti­va­men­te em rela­tar “peque­nas” dis­cre­pân­ci­as de peso no tra­ba­lho ana­lí­ti­co como resul­ta­dos consistentes.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1792, o mate­má­ti­co rus­so Niko­lai Loba­chevsky. Ele, com János Bolyai da Hun­gria, é con­si­de­ra­do o fun­da­dor da geo­me­tria não-eucli­di­a­na. Loba­chevsky cons­truiu e estu­dou um tipo de geo­me­tria em que o pos­tu­la­do para­le­lo de Eucli­des é fal­so (o pos­tu­la­do afir­ma que atra­vés de um pon­to não numa deter­mi­na­da linha ape­nas uma linha pode ser dese­nha­da não encon­tran­do a pri­mei­ra linha). Isto não foi bem rece­bi­do no iní­cio, mas a sua mai­or jus­ti­fi­ca­ção veio com o adven­to da teo­ria da rela­ti­vi­da­de de Eins­tein quan­do foi demons­tra­do expe­ri­men­tal­men­te que a geo­me­tria do espa­ço não é des­cri­ta pela geo­me­tria de Eucli­des. Além da geo­me­tria, Loba­chevsky tam­bém fez um impor­tan­te tra­ba­lho na teo­ria das séri­es infi­ni­tas, equa­ções algé­bri­cas, cál­cu­lo inte­gral, e probabilidades.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1905, o físi­co nor­te-ame­ri­ca­no Cla­ren­ce Zener. Ele foi o pri­mei­ro a des­cre­ver a pro­pri­e­da­de rela­ti­va à inter­rup­ção dos iso­la­do­res eléc­tri­cos. Estas des­co­ber­tas foram pos­te­ri­or­men­te explo­ra­das pelos Labo­ra­tó­ri­os Bell no desen­vol­vi­men­to do dío­do Zener, que rece­beu o seu devi­do nome. Zener era um físi­co teó­ri­co com for­ma­ção em mate­má­ti­ca que con­du­ziu inves­ti­ga­ção numa vas­ta gama de assun­tos, incluin­do: super­con­du­ti­vi­da­de, meta­lur­gia, fer­ro­mag­ne­tis­mo, elas­ti­ci­da­de, mecâ­ni­ca da frac­tu­ra, difu­são, e pro­gra­ma­ção geométrica.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1925, o bioquí­mi­co nor­te-ame­ri­ca­no Mar­tin Rod­bell. Ele rece­beu o Pré­mio Nobel da Fisi­o­lo­gia ou Medi­ci­na de 1994 pela sua des­co­ber­ta nos anos 60 de trans­du­to­res de sinal natu­rais cha­ma­dos G‑proteínas que aju­dam as célu­las do cor­po a comu­ni­car entre si. Par­ti­lhou o pré­mio com Alfred G. Gil­man, que mais tar­de pro­vou a hipó­te­se de Rod­bell, iso­lan­do a pro­teí­na G, assim deno­mi­na­da por­que se liga a nucleó­ti­dos cha­ma­dos difos­fa­to de gua­no­si­na e tri­fos­fa­to de gua­no­si­na, ou PIB e GTP. Antes da inves­ti­ga­ção de Rod­bell, os cien­tis­tas acre­di­ta­vam que ape­nas duas subs­tân­ci­as — um recep­tor hor­mo­nal e uma enzi­ma celu­lar inte­ri­or — eram res­pon­sá­veis pela comu­ni­ca­ção celu­lar. Rod­bell, con­tu­do, des­co­briu que a pro­teí­na G actu­a­va como um trans­du­tor de sinal inter­mé­dio entre as duas.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1940, o enge­nhei­ro elec­tro­téc­ni­co nor­te-ame­ri­ca­no Jer­ry Law­son. Ele é conhe­ci­do pelo seu tra­ba­lho na con­cep­ção da con­so­la de vide­o­jo­gos Fair­child Chan­nel F, bem como por lide­rar a equi­pa que foi pio­nei­ra no car­tu­cho comer­ci­al de vide­o­jo­gos. Foi assim ape­li­da­do de “pai do car­tu­cho de vide­o­jo­gos”, segun­do a revis­ta Black Enter­pri­se em 1982. Aca­bou por sair da Fair­child e fun­dou a empre­sa de jogos Video-Soft.

Por fim, faz hoje anos que nas­cia, em 1941, o físi­co nor­te-ame­ri­ca­no Stephen Ben­ton. Ele foi pio­nei­ro em ima­gem médi­ca e holo­gra­fia de belas artes. O seu fas­cí­nio pelos fenó­me­nos ópti­cos come­çou com os ócu­los 3‑D que usou quan­do tinha 11 anos para ver o fil­me Hou­se of Wax, de 1953. Em 1968, inven­tou os “holo­gra­mas arco-íris”, vis­tos em car­tões de cré­di­to enquan­to tra­ba­lha­va para a Pola­roid Cor­po­ra­ti­on. Vol­tou-se para a aca­de­mia como pro­fes­sor assis­ten­te em Har­vard (1968) e mais tar­de como pro­fes­sor no Mas­sa­chu­setts Ins­ti­tu­te of Tech­no­logy a par­tir de 1985, onde aju­dou a cri­ar o Spa­ti­al Ima­ging Group e diri­giu o pro­gra­ma de arte e ciên­ci­as dos media M.I.T. Ben­ton foi pio­nei­ro na holo­gra­fia da luz natu­ral como meio artís­ti­co, e foi cura­dor no Museu de Holo­gra­fia em Manhant­tan até ao seu encer­ra­men­to em 1992.

Em 1997, oito pla­ne­tas do nos­so Sis­te­ma Solar ali­nha­ram-se de Oes­te para Les­te, come­çan­do por Plu­tão, segui­do por Mer­cú­rio, Mar­te, Vénus, Nep­tu­no, Ura­no, Júpi­ter e Satur­no, com uma lua cres­cen­te ao lado, num raro ali­nha­men­to visí­vel da Ter­ra que durou até 8 de Dezem­bro. Mer­cú­rio, Mar­te, Vénus, Júpi­ter e Satur­no são visí­veis a olho nu, sen­do Vénus e Júpi­ter, de lon­ge, os mais bri­lhan­tes. É neces­sá­rio um bom par de binó­cu­los para ver os peque­nos pon­tos azuis que são Ura­no e Nep­tu­no. Plu­tão é visí­vel ape­nas por teles­có­pio. Os pla­ne­tas tam­bém se ali­nha­ram em Maio de 2000, mas dema­si­a­do per­to do sol para serem visí­veis da Ter­ra. Pas­sar-se-ão pelo menos mais 100 anos até que tan­tos pla­ne­tas este­jam tão per­to e tão visíveis.

Na News­let­ter des­ta sema­na apre­sen­ta­mos diver­sas noti­ci­as, arti­gos cien­tí­fi­cos, pro­je­tos de maker e alguns víde­os interessantes.

Newsletter Nº395

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News­let­ter Nº395

Faz hoje anos que nas­cia, em 1912, o físi­co nucle­ar nor­te-ame­ri­ca­no Lyle B. Borst. Ele lide­rou a cons­tru­ção do Reac­tor de Inves­ti­ga­ção de Gra­fi­te (BGRR), no Labo­ra­tó­rio Naci­o­nal de Bro­okha­ven. Após o tra­ba­lho no Pro­jec­to Manhat­tan na II Guer­ra Mun­di­al, orga­ni­zou cer­ca de 1.300 cien­tis­tas, e falou peran­te o Con­gres­so para man­ter a inves­ti­ga­ção ató­mi­ca sob con­tro­lo civil, a fim de evi­tar uma cor­ri­da mun­di­al ao arma­men­to nucle­ar. Em 1946, com Karl Mor­gan, desen­vol­veu um cra­chá de fil­me para medir a expo­si­ção dos tra­ba­lha­do­res aos neu­trões rápi­dos. O BGRR, con­cluí­do em 1949, foi o pri­mei­ro reac­tor cons­truí­do exclu­si­va­men­te para inves­ti­gar a uti­li­za­ção da ener­gia ató­mi­ca em tem­po de paz. No seu pri­mei­ro ano de fun­ci­o­na­men­to, Borst anun­ci­ou a pro­du­ção de iodo radi­o­ac­ti­vo ade­qua­do para o tra­ta­men­to do can­cro da tirói­de. Em 1952, ele expli­cou como o berílio‑7 da fusão do hélio desen­ca­deia super-novas.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1921, o quí­mi­co nor­te-ame­ri­ca­no Robert L. Banks. Ele co-des­co­briu o polí­me­ro cris­ta­li­no de poli­pro­pi­le­no, com J. Paul Hogan. Foram desig­na­dos pela Phil­lips Petro­leum, em 1946, para inves­ti­gar for­mas de tomar os pro­du­tos de gás natu­ral pro­pi­le­no e eti­le­no e trans­for­má-los em com­po­nen­tes úteis da gaso­li­na. Em 5 de Junho de 1951, as suas expe­ri­ên­ci­as uti­li­zan­do cata­li­sa­do­res pro­du­zi­ram poli­pro­pi­le­no — ago­ra uti­li­za­do em fibras para cor­das, car­pe­tes inte­ri­o­res e exte­ri­o­res e plás­ti­cos. Ban­cos e Hogan des­co­bri­ram tam­bém como fazer um novo poli­e­ti­le­no de alta den­si­da­de, mais resis­ten­te ao calor do que o poli­e­ti­le­no ante­ri­or­men­te exis­ten­te. Além dis­so, os seus cata­li­sa­do­res pro­du­zi­ram o novo poli­e­ti­le­no a ape­nas algu­mas cen­te­nas de psi de pres­são em vez do pro­ces­so radi­cal livre exis­ten­te, que exi­gia pres­sões de até 30.000 psi.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1921, o físi­co nucle­ar ame­ri­ca­no Her­bert F. York. Ele ini­ci­ou a inves­ti­ga­ção cien­tí­fi­ca em apoio à defe­sa naci­o­nal em 1943, quan­do come­çou a tra­ba­lhar em Oak Rid­ge, Ten­nes­see, na sepa­ra­ção elec­tro­mag­né­ti­ca do urâ­nio 235, como par­te do Pro­jec­to Manhat­tan duran­te a II Guer­ra Mun­di­al. Em 1952, tor­nou-se o pri­mei­ro direc­tor do Labo­ra­tó­rio Lawren­ce Liver­mo­re. Saiu em Mar 1958 para se jun­tar ao Depar­ta­men­to de Defe­sa como cien­tis­ta che­fe da Agên­cia de Pro­jec­tos de Inves­ti­ga­ção Avan­ça­da, e rapi­da­men­te se tor­nou o direc­tor de inves­ti­ga­ção e enge­nha­ria do Depar­ta­men­to de Defe­sa (Dez. 1958). Regres­sou à Uni­ver­si­da­de da Cali­fór­nia em 1961, como chan­ce­ler e pro­fes­sor de Físi­ca. Foi nego­ci­a­dor prin­ci­pal para a proi­bi­ção total de tes­tes duran­te a admi­nis­tra­ção Carter.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1925, o enge­nhei­ro e físi­co holan­dês Simon van der Meer. Ele, em con­jun­to com o físi­co ita­li­a­no Car­lo Rub­bia, des­co­briu a par­tí­cu­la W e a par­tí­cu­la Z ao coli­dir pro­tões e anti­pro­tões, para os quais ambos os homens par­ti­lha­ram o Pré­mio Nobel da Físi­ca. Estas par­tí­cu­las suba­tó­mi­cas (uni­da­des de maté­ria meno­res que um áto­mo) trans­mi­tem a fra­ca for­ça nucle­ar, uma das qua­tro for­ças fun­da­men­tais na natu­re­za. A des­co­ber­ta apoi­ou a teo­ria uni­fi­ca­da do elec­trowe­ak apre­sen­ta­da nos anos 70. Tra­ba­lhan­do no CERN na Suí­ça, Van der Meer melho­rou a con­cep­ção dos ace­le­ra­do­res de par­tí­cu­las uti­li­za­dos, pro­du­zin­do coli­sões entre fei­xes de par­tí­cu­las suba­tó­mi­cas. Inven­tou um dis­po­si­ti­vo que moni­to­ri­za­ria e ajus­ta­ria o fei­xe de par­tí­cu­las com cam­pos mag­né­ti­cos cor­rec­to­res, atra­vés de um sis­te­ma de “kic­kers” colo­ca­dos em tor­no do anel do acelerador.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1926, o físi­co nor­te-ame­ri­ca­no nas­ci­do na Chi­na Tsung-Dao Lee. Ele rece­beu (com Chen Ning Yang) o Pré­mio Nobel da Físi­ca de 1957 pela sua “inves­ti­ga­ção pene­tran­te” das vio­la­ções do prin­cí­pio da con­ser­va­ção da pari­da­de (a qua­li­da­de da sime­tria de refle­xão espa­ci­al das inte­rac­ções das par­tí­cu­las suba­tó­mi­cas), o que levou a impor­tan­tes des­co­ber­tas sobre as par­tí­cu­las ele­men­ta­res. A con­ser­va­ção da pari­da­de tinha sido ante­ri­or­men­te con­si­de­ra­da como uma “lei” da natu­re­za. (A pari­da­de sus­ten­ta que as leis da físi­ca são as mes­mas num sis­te­ma de coor­de­na­das à direi­ta do que num sis­te­ma à esquer­da). A teo­ria foi pos­te­ri­or­men­te con­fir­ma­da expe­ri­men­tal­men­te por Chi­en-Shiung Wu em obser­va­ções de deca­dên­cia beta.

Por fim, faz hoje anos que nas­cia, em 1944, o cien­tis­ta atmos­fé­ri­co indi­a­no Vee­rabha­dran Rama­nathan. Ele des­co­briu a “Nuvem Cas­ta­nha Asiá­ti­ca” — cama­das erran­tes de polui­ção atmos­fé­ri­ca tão lar­gas como um con­ti­nen­te e mais pro­fun­das do que o Grand Canyon. As par­tí­cu­las escu­ras nes­tas nuvens cas­ta­nhas podem redu­zir a pre­ci­pi­ta­ção, secar a super­fí­cie do pla­ne­ta, arre­fe­cer os tró­pi­cos e redu­zir a luz solar — Glo­bal Dim­ming. Em 1975, o Rama­nathan foi o pri­mei­ro a demons­trar que os CFC são gases com efei­to de estu­fa impor­tan­tes. Os seus cál­cu­los mos­tra­ram que cada molé­cu­la de CFC na atmos­fe­ra con­tri­bui mais para o efei­to de estu­fa que mais de 10.000 molé­cu­las de dió­xi­do de car­bo­no. Nos anos 80, lide­rou um estu­do que des­co­briu nume­ro­sos gases ves­ti­gi­ais que con­tri­bu­em para o aque­ci­men­to glo­bal, e um estu­do da NASA que demons­trou que as nuvens tinham um efei­to líqui­do de arre­fe­ci­men­to glo­bal no planeta”.

Em 1639, Jere­mi­ah Hor­rocks, astró­no­mo e sacer­do­te inglês, mediu um trân­si­to de Vénus, o pri­mei­ro de sem­pre a ser obser­va­do. Apli­can­do a pre­vi­são de Kepler de que em 1631, Vénus tran­si­ta­ria pelo Sol, Hor­rocks cal­cu­lou que estes trân­si­tos não ocor­re­ram iso­la­da­men­te, mas em pares, com oito anos de dife­ren­ça. Assim, Hor­rocks pre­pa­rou o seu equi­pa­men­to para o trân­si­to seguin­te que tinha assim pre­vis­to para este dia. O seu sim­ples teles­có­pio foi mon­ta­do numa tra­ve de madei­ra, para que pudes­se pro­jec­tar uma ima­gem solar sobre um peda­ço de papel mar­ca­do com um cír­cu­lo gra­du­a­do de seis pole­ga­das. A par­tir dis­to, ele fez medi­ções e cal­cu­lou que o valor para o para­la­xe solar era menor do que ante­ri­or­men­te regis­ta­do, e assim con­cluiu que o Sol esta­va mais lon­ge da Ter­ra do que ante­ri­or­men­te se pensava.

Em 1859, The Ori­gin of Spe­ci­es by Means of Natu­ral Selec­ti­on, o livro pio­nei­ro de Darwin, foi publi­ca­do em Ingla­ter­ra para gran­de acla­ma­ção. O natu­ra­lis­ta bri­tâ­ni­co Char­les Darwin deta­lhou as pro­vas cien­tí­fi­cas que tinha reco­lhi­do des­de a sua via­gem no Bea­gle, nos anos 1830. Ele apre­sen­tou a sua ideia de que as espé­ci­es são o resul­ta­do de uma evo­lu­ção bio­ló­gi­ca gra­du­al na qual a natu­re­za enco­ra­ja, atra­vés da selec­ção natu­ral, a pro­pa­ga­ção das espé­ci­es mais ade­qua­das aos seus ambi­en­tes. Tinha sido leva­do a publi­car nes­ta altu­ra por Char­les Lyell, que o acon­se­lhou que Alfred Rus­sel Wal­la­ce, um natu­ra­lis­ta que tra­ba­lha no Bor­néu, se apro­xi­ma­va das mes­mas con­clu­sões. Lyell acre­di­ta­va que Darwin deve­ria publi­car sem mais demo­ra para esta­be­le­cer a prioridade.

Na News­let­ter des­ta sema­na apre­sen­ta­mos diver­sas noti­ci­as, arti­gos cien­tí­fi­cos, pro­je­tos de maker e alguns víde­os inte­res­san­tes. É apre­sen­ta­da a revis­tar Mag­PI nº 124 de Dezembro.

Newsletter Nº394

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News­let­ter Nº394

Faz hoje anos que nas­cia, em 1597, o astró­no­mo e mate­má­ti­co inglês Henry Gel­li­brand. Ele co-des­co­briu (com John Marr) a vari­a­ção secu­lar geo­mag­né­ti­ca. Isto refe­re-se à decli­na­ção mag­né­ti­ca do cam­po mag­né­ti­co da Ter­ra, o ângu­lo entre o nor­te mag­né­ti­co e o nor­te ver­da­dei­ro, mudan­do numa esca­la tem­po­ral a lon­go pra­zo ao lon­go dos anos. Ele detec­tou que a direc­ção de uma agu­lha de bús­so­la em Lon­dres tinha muda­do em sete graus ao lon­go de um perío­do de meio sécu­lo. Tor­nou-se pro­fes­sor de astro­no­mia no Gresham Col­le­ge, Lon­dres, a 2 de Janei­ro de 1627. Os seus manu­ais de nave­ga­ção aju­da­ram a melho­rar a nave­ga­ção ingle­sa na altu­ra. Usan­do manus­cri­tos dei­xa­dos ina­ca­ba­dos quan­do o seu ami­go Henry Briggs mor­reu (1630), com­ple­tou o volu­me dois da Tri­go­no­me­tri­ca Bri­tan­ni­ca de Briggs, em 1633. Gel­li­brand publi­cou A Dis­cour­se Mathe­ma­ti­call on the Vari­a­ti­on of the Mag­ne­ti­call Nee­dle, em 1635.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1790, o astró­no­mo o mate­má­ti­co ale­mão August Fer­di­nand Möbius. Ele ficou conhe­ci­do pelo seu tra­ba­lho em geo­me­tria ana­lí­ti­ca e topo­lo­gia, espe­ci­al­men­te recor­da­do como um dos des­co­bri­do­res da fai­xa de Möbius, que tinha des­co­ber­to em 1858. Uma fai­xa de Möbius é uma super­fí­cie bidi­men­si­o­nal com ape­nas um lado. Pode ser cons­truí­da em três dimen­sões, como se segue. Pegar numa tira rec­tan­gu­lar de papel e unir as duas extre­mi­da­des da tira de modo a que esta tenha uma tor­ção de 180 graus. É ago­ra pos­sí­vel come­çar num pon­to A da super­fí­cie e tra­çar um cami­nho que pas­sa pelo pon­to que apa­ren­te­men­te se encon­tra do outro lado da super­fí­cie de A. Embo­ra a sua obra mais famo­sa seja em mate­má­ti­ca, Möbius publi­cou um tra­ba­lho impor­tan­te em astronomia.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1835, o físi­co e enge­nhei­ro elec­tro­téc­ni­co nor­te-ame­ri­ca­no Wil­li­am Arnold Anthony. Ele ini­ci­ou e desen­vol­veu um dos pri­mei­ros cur­sos de enge­nha­ria elec­tro­téc­ni­ca nos EUA (1883), enquan­to ensi­na­va no Depar­ta­men­to de Físi­ca da Uni­ver­si­da­de de Cor­nell, Itha­ca, N.Y. Duran­te 1872–75, Anthony, com a aju­da do estu­dan­te Geor­ge Moler, cons­truiu o pri­mei­ro dína­mo ame­ri­ca­no Gram­me para cor­ren­te con­tí­nua, uti­li­za­do para ali­men­tar lâm­pa­das de arco que ilu­mi­na­vam o cam­pus de Cor­nell, o pri­mei­ro sis­te­ma ame­ri­ca­no de ilu­mi­na­ção eléc­tri­ca ao ar livre. Anthony tam­bém cons­truiu um gal­va­nó­me­tro tan­gen­te mamu­te, um dis­po­si­ti­vo que uti­li­za­va o cam­po mag­né­ti­co ter­res­tre para a medi­ção de cor­ren­te. Ele con­ce­beu o dína­mo para o pri­mei­ro sis­te­ma de dis­tri­bui­ção de elec­tri­ci­da­de sub­ter­râ­nea. Anthony con­tri­buiu para o desen­vol­vi­men­to de lâm­pa­das eléc­tri­cas chei­as de gás.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1850, o quí­mi­co indus­tri­al esco­cês Geor­ge Beilby. Ele desen­vol­veu (1890) o pro­ces­so de fabri­co de cia­ne­to de potás­sio (ampla­men­te uti­li­za­do para extrair ouro de miné­rio de bai­xa qua­li­da­de) pas­san­do amo­nía­co sobre uma mis­tu­ra aque­ci­da de car­vão vege­tal e car­bo­na­to de potás­sio. Beilby entrou na indús­tria do xis­to betu­mi­no­so em 1869 e aumen­tou con­si­de­ra­vel­men­te o ren­di­men­to da para­fi­na e do amo­nía­co ao intro­du­zir a retor­ta con­tí­nua. Notan­do a des­trui­ção de metais pelo amo­nía­co a altas tem­pe­ra­tu­ras, Beilby pes­qui­sou o flu­xo de sóli­dos. Ele infe­riu que quan­do um sóli­do é cau­sa­do a fluir, como no poli­men­to, a super­fí­cie cris­ta­li­na é decom­pos­ta numa cama­da mais dura e mais den­sa. Embo­ra mui­to cri­ti­ca­da, esta teo­ria expli­cou o endu­re­ci­men­to dos metais sob tra­ba­lho a frio e deu um estí­mu­lo vali­o­so para a con­ti­nu­a­ção da investigação.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1855, o médi­co e inven­tor ale­mão Carl Gas­s­ner. Ele foi espe­ci­a­lis­ta em olhos e ouvi­dos, mas é mais conhe­ci­do por inven­tar a pri­mei­ra bate­ria de célu­las secas (1886). Uti­li­za­va o mes­mo prin­cí­pio que a célu­la de Leclan­ché. Uma bar­ra de man­ga­nês de car­bo­no era o âno­do. Em vez de um elec­tró­li­to líqui­do, con­ce­beu uma for­ma de pas­ta poro­sa com amo­nía­co sal, ges­so, clo­re­to de zin­co e água. Todos foram sela­dos numa lata de zin­co que tam­bém era o cáto­do. As célu­las Lechan­ché tinham sido uti­li­za­das para cam­pai­nhas eléc­tri­cas, mas estas eram vul­ne­rá­veis à que­bra e der­ra­ma­men­to, bem como neces­si­ta­vam de água fres­ca adi­ci­o­na­da peri­o­di­ca­men­te. Para aju­dar um arma­ze­nis­ta, Ges­s­ner con­ce­beu a sua célu­la seca como uma alter­na­ti­va melhor. Obte­ve uma paten­te ale­mã (8 Abr 1886), uma paten­te pro­vi­só­ria bri­tâ­ni­ca (No. 18,754 em 22 Dez 1888), e uma paten­te ame­ri­ca­na (No. 373,064 em 15 Nov 1887), bem como paten­tes na Áus­tria-Hun­gria, Bél­gi­ca e França.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1865, o astró­no­mo cana­di­a­no John Stan­ley Plas­kett. Ele ficou conhe­ci­do pela sua con­cep­ção espe­ci­a­li­za­da de ins­tru­men­tos e pelas suas exten­sas obser­va­ções espec­tros­có­pi­cas. Con­ce­beu um espec­tró­gra­fo excep­ci­o­nal­men­te efi­ci­en­te para o refrac­tor de 15 pole­ga­das e mediu velo­ci­da­des radi­ais e encon­trou órbi­tas de estre­las biná­ri­as espec­tros­có­pi­cas. Con­ce­beu e super­vi­si­o­nou a cons­tru­ção do reflec­tor de 72 pole­ga­das cons­truí­do para o novo Obser­va­tó­rio Astro­fí­si­co Domi­ni­on em Vitó­ria e foi nome­a­do o seu pri­mei­ro direc­tor em 1917. Aí esten­deu o tra­ba­lho sobre velo­ci­da­des radi­ais e biná­ri­os espec­tros­có­pi­cos e estu­dou espec­tros de estre­las tipo O e B. Na déca­da de 1930 publi­cou a pri­mei­ra aná­li­se deta­lha­da da rota­ção da Via Lác­tea, demons­tran­do que o sol está a dois ter­ços do cen­tro da nos­sa galá­xia sobre a qual gira uma vez em 220 milhões de anos.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1865, o quí­mi­co nor­te-ame­ri­ca­no Wil­li­am Mer­ri­am Bur­ton. Ele con­ce­beu o pri­mei­ro pro­ces­so de cra­que­a­men­to tér­mi­co que mais do que dupli­cou a pro­por­ção de pro­du­ção de gaso­li­na a par­tir do petró­leo bru­to, uti­li­zan­do calor ele­va­do e alta pres­são. A mis­tu­ra de petró­leo bru­to de vári­os hidro­car­bo­ne­tos pode ser sepa­ra­da em vári­os gru­pos de cons­ti­tuin­tes por mei­os físi­cos, nor­mal­men­te a des­ti­la­ção. O seu pro­ces­so de cra­que­a­men­to tér­mi­co (paten­te­a­do a 7 de Janei­ro de 1913, nº 1.049.667) refor­mou qui­mi­ca­men­te molé­cu­las mais lon­gas de com­po­nen­tes menos volá­teis em molé­cu­las mais peque­nas, dupli­can­do assim o ren­di­men­to da gaso­li­na neces­sá­ria para ali­men­tar a indús­tria auto­mó­vel. Duran­te os seus pri­mei­ros 15 anos de uti­li­za­ção, o pro­ces­so pou­pou mais de mil milhões de bar­ris de petró­leo bru­to. Em 1937, a inven­ção do crac­king cata­lí­ti­co supe­rou o pro­ces­so Bur­ton, mas con­ti­nua em lar­ga utilização.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1902, o físi­co hún­ga­ro-ame­ri­ca­no Euge­ne Wig­ner. Ele par­ti­lhou o Pré­mio Nobel da Físi­ca de 1963 (com Maria Goep­pert Mayer e Johan­nes Hans Jen­sen) pela sua visão da mecâ­ni­ca quân­ti­ca, pelas suas con­tri­bui­ções para a teo­ria do núcleo ató­mi­co e das par­tí­cu­las ele­men­ta­res, par­ti­cu­lar­men­te atra­vés da des­co­ber­ta e apli­ca­ção de prin­cí­pi­os de sime­tria fun­da­men­tais. Fez mui­tas con­tri­bui­ções para a físi­ca nucle­ar e desem­pe­nhou um papel pro­e­mi­nen­te no desen­vol­vi­men­to da bom­ba ató­mi­ca e da ener­gia nuclear.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1906, o enge­nhei­ro, pilo­to de auto­mó­veis de cor­ri­da e indus­tri­al japo­nês Soi­chi­ro Hon­da. Ele fun­dou a Hon­da Motor Com­pany, fabri­can­te de moto­ci­clos e auto­mó­veis. Nas­ci­do em Iwa­ta Gun, Japão, a sua car­rei­ra come­çou como apren­diz de gara­gem (1922), o que levou à aber­tu­ra da sua pró­pria gara­gem em 1928. Come­çou a fabri­car com uma fábri­ca de anéis de pis­tão (1934) que se expan­diu para moto­ci­cle­tas em 1948, segui­da pelo lan­ça­men­to de um car­ro des­por­ti­vo e de um camião ligei­ro em 1963. Soi­chi­ro Hon­da refor­mou-se em 1973, e foi nome­a­do “con­se­lhei­ro supremo”.

Por fim, faz hoje anos que nas­cia, em 1922, o bioquí­mi­co nor­te-ame­ri­ca­no Stan­ley Cohen. Ele par­ti­lhou (com Rita Levi-Mon­tal­ci­ni) o Pré­mio Nobel da Fisi­o­lo­gia ou Medi­ci­na de 1986 “pelas suas des­co­ber­tas de fac­to­res de cres­ci­men­to”. A sua inves­ti­ga­ção foi sobre o fac­tor de cres­ci­men­to epi­dér­mi­co (EGF), uma pro­teí­na pro­du­zi­da no cor­po que está envol­vi­da no cres­ci­men­to celu­lar nor­mal, dife­ren­ci­a­ção, cura de feri­das, e outros even­tos de desen­vol­vi­men­to no cor­po. Por exem­plo, des­co­briu que em ratos recém-nas­ci­dos, cau­sa­ria uma den­ti­ção mais pre­co­ce e aber­tu­ra dos olhos. EGF e NGF (o fac­tor de cres­ci­men­to ner­vo­so estu­da­do por Levi-Mon­tal­ci­ni) foram os pri­mei­ros de uma série de subs­tân­ci­as de sinal regu­la­dor de cres­ci­men­to ago­ra conhe­ci­das. A sua des­co­ber­ta levou a uma mai­or com­pre­en­são dos resul­ta­dos de mui­tas doen­ças, tais como mal­for­ma­ções do desen­vol­vi­men­to, alte­ra­ções dege­ne­ra­ti­vas na demên­cia senil, atra­so na cica­tri­za­ção de feri­das e tumores.

Em 1869, o Canal de Suez no Egip­to foi aber­to com uma ceri­mó­nia em que par­ti­ci­pou a Impe­ra­triz fran­ce­sa Eugé­nie (espo­sa de Napo­leão III). O canal de 100 milhas de com­pri­men­to atra­ves­sa o Ist­mo do Suez, ligan­do assim os mares Medi­ter­râ­neo e Ver­me­lho, e for­ne­cen­do uma rota de trans­por­te direc­to para o comér­cio entre a Euro­pa e a Ásia. A sua cons­tru­ção foi rea­li­za­da pelo enge­nhei­ro fran­cês, Fer­di­nand de Les­seps. Como anti­go côn­sul fran­cês no Cai­ro, de Les­seps tinha fei­to um acor­do (1854) com o gover­na­dor oto­ma­no do Egip­to, per­mi­tin­do a for­ma­ção da Com­pa­nhia do Canal de Suez (1856) com os direi­tos de cons­truir e ope­rar o canal duran­te 99 anos. A esca­va­ção come­çou a 24 de Abril de 1859, à mão, com tra­ba­lhos for­ça­dos. O pro­gres­so melho­rou com dra­gas mecâ­ni­cas e pás a vapor euro­pei­as, mas foi atra­sa­do por dis­pu­tas labo­rais e por uma epi­de­mia de cólera.

Em 1970, foi emi­ti­da uma paten­te ame­ri­ca­na para o rato de com­pu­ta­dor — um “X‑Y Posi­ti­on Indi­ca­tor for a Dis­play Sys­tem” (No. 3541541). O inven­tor foi Doug Engel­bart. No labo­ra­tó­rio, ele e os seus cole­gas cha­ma­ram-lhe “rato”, depois do seu cabo de cau­da. O pri­mei­ro rato era um sim­ples blo­co de madei­ra esca­va­do, com um úni­co botão de pres­são no topo. Engel­bart tinha con­ce­bi­do isto como uma fer­ra­men­ta para selec­ci­o­nar o tex­to, movê-lo e mani­pu­lá-lo de outra for­ma. Era um ele­men­to cha­ve do seu pro­jec­to mai­or — o NLS (oN Line Sys­tem), um com­pu­ta­dor que ele e alguns cole­gas do Stan­ford Rese­ar­ch Ins­ti­tu­te tinham cons­truí­do. O NLS tam­bém per­mi­tiu que dois ou mais uti­li­za­do­res tra­ba­lhas­sem no mes­mo docu­men­to a par­tir de esta­ções de tra­ba­lho diferentes.

E nes­ta sema­na que pas­sou foi lan­ça­do o Fedo­ra 37, uma gran­de actu­a­li­za­ção des­ta dis­tro patro­ci­na­da pela Red Hat que vem com algu­mas das mais recen­tes e mai­o­res tec­no­lo­gi­as GNU/Linux. O Fedo­ra Linux 37 é uma das dis­tri­bui­ções GNU/Linux mais pre­vis­tas do ano e não desi­lu­de os fãs. É supor­ta­da pelo mais recen­te e mai­or ker­nel Linux 6.0 e uti­li­za o mais recen­te ambi­en­te de tra­ba­lho GNOME 43 por defei­to para a sua edi­ção emble­má­ti­ca da Esta­ção de Tra­ba­lho Fedo­ra. O Fedo­ra 37 tam­bém vem com boas notí­ci­as para os uti­li­za­do­res do Rasp­ber­ry Pi 4, uma vez que este lan­ça­men­to intro­duz o apoio ofi­ci­al ao popu­lar com­pu­ta­dor, incluin­do as vari­an­tes 4B, 400, e CM4, gra­ças à imple­men­ta­ção de grá­fi­cos ace­le­ra­dos uti­li­zan­do a GPU V3D, jun­ta­men­te com algu­mas melho­ri­as gerais mais amplas.

Tam­bém nes­ta sema­na que pas­sou foi fei­to o lan­ça­men­to bem suce­di­do do Sis­te­ma de Lan­ça­men­to Espa­ci­al da NASA (SLS), o fogue­tão mais pode­ro­so do mun­do, a nave espa­ci­al Ori­on da agên­cia está a cami­nho da Lua como par­te do pro­gra­ma Arte­mis. Trans­por­tan­do um Ori­on não-tri­pu­la­do, o SLS des­co­lou para o seu tes­te de voo de estreia à 1:47 da manhã de quar­ta-fei­ra EST do Laun­ch Pad 39B no Cen­tro Espa­ci­al Ken­nedy da NASA, na Flo­ri­da. O lan­ça­men­to é a pri­mei­ra eta­pa de uma mis­são na qual Ori­on está pla­ne­a­do via­jar apro­xi­ma­da­men­te 40.000 milhas para além da Lua e regres­sar à Ter­ra ao lon­go de 25,5 dias. Conhe­ci­da como Arte­mis I, a mis­são é uma par­te crí­ti­ca da abor­da­gem de explo­ra­ção da NASA da Lua a Mar­te, na qual a agên­cia explo­ra em bene­fí­cio da huma­ni­da­de. É um tes­te impor­tan­te para a agên­cia antes de voar como astro­nau­tas na mis­são Arte­mis II.

Na News­let­ter des­ta sema­na apre­sen­ta­mos diver­sas noti­ci­as, arti­gos cien­tí­fi­cos, pro­je­tos de maker e alguns víde­os inte­res­san­tes. É apre­sen­ta­da a revis­tar HackS­pa­ce Maga­zi­ne nº 61 de Dezembro.

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Newsletter Nº393

Newsletter Nº393
News­let­ter Nº393

Faz hoje anos que nas­cia, em 1764, o mine­ra­lo­gis­ta his­pa­no-ame­ri­ca­no Andrés Manu­el del Río. Ele des­co­briu (1801) um novo ele­men­to, mais tar­de cha­ma­do vana­dium. Enquan­to pro­fes­sor de mine­ra­lo­gia no Méxi­co, Del Rio exa­mi­nou uma amos­tra de chum­bo cas­ta­nho de Zima­pan e encon­trou um novo metal, seme­lhan­te ao cró­mio e urâ­nio, ao qual deu o nome de eri­tró­nio, após a cor ver­me­lha de um dos seus com­pos­tos quí­mi­cos (eri­tró­nio gre­go, “ver­me­lho”). Foi dis­su­a­di­do por outros quí­mi­cos, e aca­bou por con­si­de­rá-lo como cró­mio impu­ro. O quí­mi­co sue­co Nils Gabri­el Sefs­tröm, redes­co­briu o ele­men­to (1830) e deu-lhe o nome de vaná­dio, depois de Vana­dis, a deu­sa escan­di­na­va da bele­za, por cau­sa dos seus belos com­pos­tos mul­ti­co­lo­ri­dos. Des­de o iní­cio do sécu­lo XIX, o vaná­dio tem sido uti­li­za­do como ele­men­to de liga para aços e ferro.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1810, o enge­nhei­ro sani­tá­rio e cana­li­za­dor inglês Geor­ge Jen­nings. Ele inven­tou os pri­mei­ros auto­clis­mos públi­cos. Jen­nings espe­ci­a­li­zou-se na con­cep­ção de sani­tá­ri­os que fos­sem “o armá­rio sani­tá­rio mais per­fei­to que se pos­sa fazer”. No entan­to, tam­bém se des­ta­cou em pro­jec­tos de sane­a­men­to públi­co, tais como a con­cep­ção da “con­ve­ni­ên­cia públi­ca” sub­ter­râ­nea. As entra­das para estes eram ela­bo­ra­das gra­des metá­li­cas e arcos ilu­mi­na­dos por lâm­pa­das, com inte­ri­o­res cons­truí­dos em ardó­sia e, mais tar­de, em azu­le­jos de cerâmica.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1855, o fabri­can­te auto­mó­vel fran­cês Ale­xan­dre Dar­racq. Ele foi um dos pri­mei­ros a pla­ne­ar a pro­du­ção em mas­sa de veí­cu­los auto­mó­veis. Dar­racq come­çou a fabri­car máqui­nas de cos­tu­ra e fun­dou a empre­sa Gla­di­a­tor Cycle em 1891, fabri­can­do as moto­ci­cle­tas Mil­let. Em finais da déca­da de 1890, em Fran­ça, recor­reu aos auto­mó­veis. Mais tar­de, Dar­racq fabri­cou car­ros eléc­tri­cos e bici­cle­tas Mil­let moto­ri­za­das. Come­çou a pro­du­zir Léon Bol­lée voi­tu­ret­tes (1898), depois pro­du­ziu auto­mó­veis de qua­li­da­de sob as mar­cas Dar­racq, Talbot-Darracq,e Tal­bot, nome­a­da­men­te a Dar­racq Flying Fif­te­en (1904). Tam­bém cons­truiu auto­mó­veis de cor­ri­da e diri­giu uma esco­la para pilo­tos de cor­ri­da. Em 1904 Dar­racq foi o fabri­can­te de auto­mó­veis de mai­or suces­so no mun­do, pro­du­zin­do 1600 veí­cu­los. A fábri­ca da fili­al ita­li­a­na foi a ori­gem da Alfa Romeo. Ele nun­ca apren­deu a conduzir.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1861, o astró­no­mo esco­cês Robert Innes. Ele des­co­briu Pro­xi­ma Cen­tau­ri (1915), a estre­la mais pró­xi­ma da Ter­ra depois do Sol. Con­vi­da­do por David Gill para o Obser­va­tó­rio do Cabo, Áfri­ca do Sul (1894), tor­nou-se um obser­va­dor biná­rio bem suce­di­do com o refrac­tor de 7 pole­ga­das (1628 des­co­ber­tas). A sua des­co­ber­ta mais famo­sa, Pro­xi­ma Cen­tau­ri é uma estre­la fra­ca per­to da estre­la biná­ria Alfa Cen­tau­ri, que está tão lon­ge do sul que não é visí­vel da mai­or par­te do hemis­fé­rio nor­te. Foi tam­bém o pri­mei­ro a ver o come­ta da luz do dia de 1910, embo­ra este come­ta tenha sido encon­tra­do inde­pen­den­te­men­te por tan­tas pes­so­as no hemis­fé­rio sul que nenhum “ori­gi­nal” des­co­bri­dor pôde ser nome­a­do. Innes registou‑o a 17 de Janei­ro de 1910.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1895, o desig­ner de aviões nor­te-ame­ri­ca­no Jack North­rop. Ele foi um dos pri­mei­ros defen­so­res da cons­tru­ção total­men­te metá­li­ca e do dese­nho das asas voa­do­ras. Já em 1923, Jack North­rop tinha sido con­ven­ci­do de que a asa voa­do­ra, na qual a aero­na­ve trans­por­ta­va todas as car­gas e con­tro­los den­tro da asa e não tinha fuse­la­gem nem sec­ções de cau­da, era o pró­xi­mo gran­de pas­so em fren­te na con­cep­ção de aero­na­ves. Duran­te a Segun­da Guer­ra Mun­di­al, ele per­se­guiu vári­os pro­jec­tos de aero­na­ves de asa voa­do­ra. Nas déca­das que se segui­ram à guer­ra, o nome de North­rop foi ane­xa­do como fabri­can­te e pro­jec­tis­ta de vári­as outras aero­na­ves, cul­mi­nan­do no B‑2, que jus­ti­fi­ca­va o sonho de Jack North­rop de uma máqui­na voa­do­ra limpa.

Por fim, faz hoje anos que nas­cia, em 1918, o quí­mi­co teó­ri­co ale­mão Ernst Otto Fis­cher. Ele foi co-reci­pi­en­te (com o cien­tis­ta bri­tâ­ni­co Geof­frey Wil­kin­son) do Pré­mio Nobel da Quí­mi­ca em 1973 pela sua iden­ti­fi­ca­ção de uma for­ma com­ple­ta­men­te nova em que os metais e as subs­tân­ci­as orgâ­ni­cas se podem com­bi­nar. Fis­cher conhe­ceu pela pri­mei­ra vez o recém-sin­te­ti­za­do com­pos­to orga­no­me­tá­li­co cha­ma­do fer­ro­ce­no ao ler sobre o mes­mo em 1951. Como nes­sa altu­ra a sua estru­tu­ra era des­co­nhe­ci­da, Fis­cher estudou‑o, e deter­mi­nou que con­sis­tia num úni­co áto­mo de fer­ro ensan­dui­cha­do entre dois anéis de car­bo­no de cin­co lados. Wil­kin­son fez esta mes­ma des­co­ber­ta de for­ma inde­pen­den­te de Fischer.

Em 1974, a des­co­ber­ta da par­tí­cu­la suba­tó­mi­ca “char­med quark” foi anun­ci­a­da simul­ta­ne­a­men­te pelos dois gru­pos expe­ri­men­tais ame­ri­ca­nos res­pon­sá­veis. Um era um gru­po MIT no Labo­ra­tó­rio Naci­o­nal de Bro­okha­ven, e o outro um gru­po SLAC-Ber­ke­ley na cos­ta oci­den­tal, no cen­tro de ace­le­ra­do­res Line­ar de Stan­ford. A nova par­tí­cu­la, de mas­sa 3095 MeV teve uma vida útil cer­ca de 1000 vezes mais lon­ga do que a de outras par­tí­cu­las de mas­sa com­pa­rá­vel. Este anún­cio incen­di­ou o mun­do da físi­ca de alta ener­gia e é ago­ra conhe­ci­do na comu­ni­da­de da físi­ca como a revo­lu­ção de Novem­bro. Em dois anos, em 1976, os cien­tis­tas que lide­ra­vam esses gru­pos, Samu­el Ting e Bur­ton Rich­ter, rece­be­ram o Pré­mio Nobel da Física.

Em 1983, o estu­dan­te ame­ri­ca­no Fred Cohen apre­sen­tou num semi­ná­rio de segu­ran­ça os resul­ta­dos do seu tes­te — o pri­mei­ro vírus docu­men­ta­do, cri­a­do como uma expe­ri­ên­cia em segu­ran­ça infor­má­ti­ca. Cohen cri­ou este pri­mei­ro vírus ao estu­dar para um dou­to­ra­men­to na Uni­ver­si­da­de da Cali­fór­nia do Sul. Outros tinham escri­to sobre o poten­ci­al de cri­a­ção de pro­gra­mas per­ni­ci­o­sos, mas ele foi o pri­mei­ro a demons­trar um exem­plo de tra­ba­lho. No jor­nal, ele defi­niu um vírus como “um pro­gra­ma que pode ‘infec­tar’ outros pro­gra­mas, modi­fi­can­do-os para incluir uma … ver­são de si mes­mo”. Cohen adi­ci­o­nou o seu vírus a um pro­gra­ma grá­fi­co cha­ma­do VD, escri­to para um mini-com­pu­ta­dor Vax. O vírus escon­deu-se den­tro do VD e uti­li­zou as per­mis­sões que os uti­li­za­do­res tinham de olhar para outras par­tes do com­pu­ta­dor Vax para se espa­lha­rem pelo sistema.

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Newsletter Nº392

Newsletter Nº392
News­let­ter Nº392

Faz hoje anos que nas­cia, em 1749, o quí­mi­co e fotó­gra­fo esco­cês Dani­el Ruther­ford. Ele des­co­briu a por­ção de ar que não supor­ta a com­bus­tão, ago­ra conhe­ci­da por ser nitro­gé­nio. Depois de dei­xar um rato viver numa quan­ti­da­de con­fi­na­da de ar até mor­rer, quei­mou uma vela e quei­mou fós­fo­ro no mes­mo ar, des­de que ardes­sem. Assu­miu que o gás res­tan­te era dió­xi­do de car­bo­no, que dis­sol­veu passando‑o atra­vés de um álca­li for­te. No entan­to, per­ma­ne­ceu gás inca­paz de supor­tar a res­pi­ra­ção ou com­bus­tão, que ele sabia já não con­ter oxi­gé­nio ou dió­xi­do de car­bo­no. Cha­mou-lhe “ar sofis­ti­ca­do”, seguin­do a teo­ria do phlo­gis­ton de Georg Stahl. Foi mais tar­de devi­da­men­te des­cri­to por Antoi­ne Lavoi­si­er. Ruther­ford tam­bém con­ce­beu o pri­mei­ro ter­mó­me­tro máximo-mínimo.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1962, o pro­gra­ma­dor de com­pu­ta­dor nor­te-ame­ri­ca­no Phil Katz. Ele ficou conhe­ci­do como o cri­a­dor do for­ma­to de fichei­ro Zip para com­pres­são de dados, e o autor de PKZIP, um pro­gra­ma para a cri­a­ção de fichei­ros zip que cor­ria sob DOS. Um pro­ces­so de direi­tos de autor entre Sys­tem Enhan­ce­ment Asso­ci­a­tes (SEA) e a empre­sa de Katz, PKWARE, Inc., foi ampla­men­te divul­ga­do na comu­ni­da­de BBS no final da déca­da de 1980. O negó­cio de soft­ware de Phil Katz foi mui­to bem suce­di­do, mas ele lutou con­tra o iso­la­men­to soci­al e o alco­o­lis­mo cró­ni­co nos últi­mos anos da sua vida.

Em 1957, foi lan­ça­do o Sput­nik 2, com o pri­mei­ro ani­mal vivo envi­a­do para o espa­ço — um cão husky sibe­ri­a­no, Lai­ka (“ladrão” em rus­so). Pela sua con­cep­ção, a embar­ca­ção não foi pla­ne­a­da para recu­pe­ra­ção, e Lai­ka mor­reu em órbi­ta. Dados bio­ló­gi­cos, os pri­mei­ros dados do seu géne­ro, foram trans­mi­ti­dos de vol­ta à Ter­ra enquan­to ela viveu. Os dados mos­tra­ram aos cien­tis­tas como Lai­ka se esta­va a adap­tar ao espa­ço — infor­ma­ção impor­tan­te para as imi­nen­tes mis­sões tri­pu­la­das pla­ne­a­das. O saté­li­te de 508 kg per­ma­ne­ceu em órbi­ta duran­te 162 dias. Lai­ka foi con­si­de­ra­da uma heroí­na na União Soviética.

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