Newsletter Nº219

Newsletter Nº219
News­let­ter Nº219

Faz hoje anos que nas­cia, em 1811, Wil­li­am Robert Gro­ve. Este físi­co galês, foi o pri­mei­ro a apre­sen­tar pro­vas da dis­so­ci­a­ção tér­mi­ca de áto­mos den­tro de uma molé­cu­la. Ele mos­trou que o vapor em con­tac­to com um fio de pla­ti­na mui­to aque­ci­do é decom­pos­to em hidro­gé­nio e oxi­gé­nio numa reac­ção rever­sí­vel. Em 1839, Gro­ve mis­tu­rou hidro­gé­nio e oxi­gé­nio na pre­sen­ça de um elec­tró­li­to e pro­du­ziu elec­tri­ci­da­de e água. Esta Gro­ve Cell foi a inven­ção da célu­la de com­bus­tí­vel. A tec­no­lo­gia não foi seri­a­men­te revi­si­ta­da até a déca­da de 1960. Atra­vés do pro­ces­so elec­troquí­mi­co, a ener­gia arma­ze­na­da num com­bus­tí­vel é con­ver­ti­da — sem com­bus­tão de com­bus­tí­vel — direc­ta­men­te em elec­tri­ci­da­de DC. Gro­ve tam­bém desen­vol­veu a célu­la eléc­tri­ca de dois flui­dos, con­sis­tin­do de zin­co amal­ga­ma­do em áci­do sul­fú­ri­co diluí­do e um cáto­do de pla­ti­na em áci­do nítri­co con­cen­tra­do, sen­do os líqui­dos sepa­ra­dos por um reci­pi­en­te poro­so. Des­sa for­ma, ele pro­du­ziu luz eléc­tri­ca para uma de suas pales­tras na Lon­don Ins­ti­tu­ti­on, onde foi pro­fes­sor de físi­ca (1840–1847).

Faz tam­bém anos hoje que nas­cia, em 1857, Joseph Lar­mor. Este Físi­co irlan­dês foi o pri­mei­ro a cal­cu­lar a taxa na qual a ener­gia é irra­di­a­da por um elec­trão ace­le­ra­do, e o pri­mei­ro a expli­car a divi­são de linhas de espec­tro por um cam­po mag­né­ti­co. As suas teo­ri­as base­a­vam-se na cren­ça de que a maté­ria é com­pos­ta intei­ra­men­te de par­tí­cu­las eléc­tri­cas moven­do-se no éter. A sua ela­bo­ra­da teo­ria eléc­tri­ca mate­má­ti­ca do final da déca­da de 1890 incluía o “elec­trão” como uma ten­são rota­ci­o­nal (uma espé­cie de tor­ção) no éter. Mas a teo­ria de Lar­mor não des­cre­ve o elec­trão como par­te do áto­mo. Mui­tos físi­cos ima­gi­na­ram tan­to as par­tí­cu­las mate­ri­ais quan­to as for­ças elec­tro­mag­né­ti­cas como estru­tu­ras e ten­sões nes­se flui­do hipo­té­ti­co.

Faz igual anos hoje que nas­cia, em 1902, Samu­el Gouds­mit. Este Físi­co nor­te-ame­ri­ca­no nas­ci­do na Holan­da, com Geor­ge E. Uhlen­beck, um cole­ga de pós-gra­du­a­ção na Uni­ver­si­da­de de Lei­den, Neth, for­mu­lou (1925) o con­cei­to de spin do elec­trão. Isto levou ao reco­nhe­ci­men­to de que o spin era uma pro­pri­e­da­de de pro­tões, neu­trões e par­tí­cu­las mais ele­men­ta­res e a uma mudan­ça fun­da­men­tal na estru­tu­ra mate­má­ti­ca da mecâ­ni­ca quân­ti­ca. Gouds­mit tam­bém fez a pri­mei­ra medi­ção do spin nucle­ar e seu efei­to Zee­man com Ernst Back (1926–27), desen­vol­veu uma teo­ria de estru­tu­ra hiper­fi­na de linhas espec­trais, fez a pri­mei­ra deter­mi­na­ção espec­tros­có­pi­ca de momen­tos mag­né­ti­cos nucle­a­res (1931–33), con­tri­buiu para a teo­ria de áto­mos com­ple­xos e a teo­ria do espa­lha­men­to múl­ti­plo de elec­trões, e inven­tou o espec­tró­me­tro de mas­sa de tem­po-de-voo mag­né­ti­co (1948).

Faz tam­bém anos hoje que nas­cia, em 1916, Ale­xan­der Prokho­rov. Este Físi­co sovié­ti­co rece­beu (com Niko­lay G. Basov, URSS e Char­les H. Tow­nes, EUA), o Pré­mio Nobel de Físi­ca em 1964 “por tra­ba­lhos fun­da­men­tais no cam­po da elec­tró­ni­ca quân­ti­ca, o que levou à cons­tru­ção de osci­la­do­res e ampli­fi­ca­do­res com base no prin­cí­pio maser-laser”. “Maser” sig­ni­fi­ca “ampli­fi­ca­ção por micro-ondas por emis­são esti­mu­la­da de radi­a­ção”. Uma ampli­fi­ca­ção só pode ocor­rer se a emis­são esti­mu­la­da for mai­or que a absor­ção, exi­gin­do que haja mais áto­mos num esta­do de alta ener­gia do que num mais bai­xo. Este esta­do é cha­ma­do de popu­la­ção inver­ti­da. Prokho­rov pes­qui­sou o maser de manei­ra inde­pen­den­te, mas simul­ta­ne­a­men­te com os outros lau­re­a­dos.

Faz igual­men­te anos hoje que nas­cia, em 1924, César Lat­tes. Este Físi­co bra­si­lei­ro, jun­ta­men­te com o físi­co ame­ri­ca­no Euge­ne Gard­ner, da Uni­ver­si­da­de da Cali­fór­nia, em Ber­ke­ley, em 1948, con­fir­mou a exis­tên­cia de mesons pesa­dos e leves for­ma­dos duran­te o bom­bar­deio de núcle­os de car­bo­no com par­tí­cu­las alfa. A des­co­ber­ta expe­ri­men­tal do méson pi foi fun­da­men­tal para expli­car a for­ça de liga­ção nucle­ar. O físi­co teó­ri­co japo­nês Hide­ki Yukawa propôs (1935) uma nova e des­co­nhe­ci­da par­tí­cu­la com 200 vezes mais mas­sa do que o elec­trão, que foi emi­ti­da e absor­vi­da por pro­tões e neu­trões. A tro­ca des­sas par­tí­cu­las entre os núcle­ons pro­du­zi­ria uma atrac­ção de cur­to alcan­ce entre eles.

Por fim, faz tam­bém anos hoje que nas­cia, em 1927, The­o­do­re Mai­man. Este Físi­co nor­te-ame­ri­ca­no cons­truiu o pri­mei­ro laser em fun­ci­o­na­men­to. Ele come­çou a tra­ba­lhar com dis­po­si­ti­vos elec­tró­ni­cos na sua ado­les­cên­cia, enquan­to ganha­va dinhei­ro na facul­da­de arran­jan­do elec­tro­do­més­ti­cos e rádi­os. Na déca­da de 1960, ele desen­vol­veu, demons­trou e paten­te­ou um laser usan­do um meio rosa rubi. O laser é um dis­po­si­ti­vo que pro­duz luz coe­ren­te mono­cro­má­ti­ca (luz na qual os rai­os são todos do mes­mo com­pri­men­to de onda e fase). Des­de então, o laser tem sido apli­ca­do numa ampla vari­e­da­de de usos, incluin­do cirur­gia ocu­lar, odon­to­lo­gia, loca­li­za­ção de fai­xas, manu­fac­tu­ra e até a medi­ção da dis­tân­cia entre a Ter­ra e a Lua.

Há 40 anos atrás, a pri­mei­ra esta­ção espa­ci­al Sky­lab reen­tra­va na atmos­fe­ra ter­res­tre per­to da Aus­trá­lia. Lan­ça­da em maio de 1973 a bor­do do últi­mo Satur­no V para voar, a Sky­lab con­sis­tia na par­te Saturn S‑IVB 212 equi­pa­da para abri­gar tri­pu­la­ções visi­tan­tes. Três equi­pas per­ma­ne­ce­ram em 1973 e 1974, rea­li­zan­do obser­va­ções sola­res, cor­ri­gin­do pro­ble­mas e lidan­do com os desa­fi­os do voo espa­ci­al de lon­ga dura­ção. A Sky­lab orbi­tou a Ter­ra 2.476 vezes duran­te os 171 dias e 13 horas de ocu­pa­ção duran­te as três expe­di­ções tri­pu­la­das, tinha um peso apro­xi­ma­do de 77 mil qui­los.

Nes­ta sema­na que pas­sou foi publi­ca­da ofi­ci­al­men­te a ver­são 5.2 do Ker­nel Linux. Esta nova ver­são foi anun­ci­a­da pelo cri­a­dor do Linux, Linus Tor­valds, e repre­sen­ta um tra­ba­lho que foi sen­do fei­to ao lon­go de vári­as ver­sões Can­di­da­tas no sen­ti­do de apre­sen­tar uma nova ver­são de Ker­nel (que não é LTS) mas que tem melho­ri­as sig­ni­fi­ca­ti­vas ao nível de dri­vers para supor­tar novo hard­ware, e diver­sas novas fun­ci­o­na­li­da­des. Des­tas novas fun­ci­o­na­li­da­des des­ta­cam-se o Sound Open Firmwa­re que dá supor­te para dis­po­si­ti­vos de audio DSP no Ker­nel, uma nova API para mon­tar filesys­tems, novos GPU dri­vers para o ARM Mali, supor­te para nomes insen­sí­veis a maiús­cu­las e minús­cu­las em filesys­tems EXT4 assim como melho­ri­as no sche­du­ler BFQ I/O. Foram tam­bém intro­du­zi­das alte­ra­ções no Ker­nel ao nível da segu­ran­ça para pro­te­ger os sis­te­mas de bugs de CPU.

Tam­bém nes­ta sema­na que pas­sou a son­da japo­ne­sa Hayabusa2 fez um pou­so “per­fei­to” no aste­rói­de Ryu­gu e reco­lheu amos­tras debai­xo da super­fí­cie numa mis­são sem pre­ce­den­tes que pode­rá lan­çar luz sobre as ori­gens do sis­te­ma solar. O aste­rói­de Ryu­gu e a son­da encon­tram-se a 245 milhões de qui­ló­me­tros da Ter­ra. Espe­ra-se que a son­da pos­sa regres­sar com as amos­tras, como pla­ne­a­do, em 2020.

Na News­let­ter des­ta sema­na apre­sen­ta­mos diver­sos pro­je­tos de maker. É apre­sen­ta­da tam­bém a revis­ta newe­lec­tro­nics de 9 de Julho.

Esta News­let­ter encon­tra-se mais uma vez dis­po­ní­vel no sis­te­ma docu­men­ta do altLab. Todas as News­let­ters encon­tram-se inde­xa­das no link.