Newsletter Nº395

Newsletter Nº395
News­let­ter Nº395

Faz hoje anos que nas­cia, em 1912, o físi­co nucle­ar nor­te-ame­ri­ca­no Lyle B. Borst. Ele lide­rou a cons­tru­ção do Reac­tor de Inves­ti­ga­ção de Gra­fi­te (BGRR), no Labo­ra­tó­rio Naci­o­nal de Bro­okha­ven. Após o tra­ba­lho no Pro­jec­to Manhat­tan na II Guer­ra Mun­di­al, orga­ni­zou cer­ca de 1.300 cien­tis­tas, e falou peran­te o Con­gres­so para man­ter a inves­ti­ga­ção ató­mi­ca sob con­tro­lo civil, a fim de evi­tar uma cor­ri­da mun­di­al ao arma­men­to nucle­ar. Em 1946, com Karl Mor­gan, desen­vol­veu um cra­chá de fil­me para medir a expo­si­ção dos tra­ba­lha­do­res aos neu­trões rápi­dos. O BGRR, con­cluí­do em 1949, foi o pri­mei­ro reac­tor cons­truí­do exclu­si­va­men­te para inves­ti­gar a uti­li­za­ção da ener­gia ató­mi­ca em tem­po de paz. No seu pri­mei­ro ano de fun­ci­o­na­men­to, Borst anun­ci­ou a pro­du­ção de iodo radi­o­ac­ti­vo ade­qua­do para o tra­ta­men­to do can­cro da tirói­de. Em 1952, ele expli­cou como o berílio‑7 da fusão do hélio desen­ca­deia super-novas.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1921, o quí­mi­co nor­te-ame­ri­ca­no Robert L. Banks. Ele co-des­co­briu o polí­me­ro cris­ta­li­no de poli­pro­pi­le­no, com J. Paul Hogan. Foram desig­na­dos pela Phil­lips Petro­leum, em 1946, para inves­ti­gar for­mas de tomar os pro­du­tos de gás natu­ral pro­pi­le­no e eti­le­no e trans­for­má-los em com­po­nen­tes úteis da gaso­li­na. Em 5 de Junho de 1951, as suas expe­ri­ên­ci­as uti­li­zan­do cata­li­sa­do­res pro­du­zi­ram poli­pro­pi­le­no — ago­ra uti­li­za­do em fibras para cor­das, car­pe­tes inte­ri­o­res e exte­ri­o­res e plás­ti­cos. Ban­cos e Hogan des­co­bri­ram tam­bém como fazer um novo poli­e­ti­le­no de alta den­si­da­de, mais resis­ten­te ao calor do que o poli­e­ti­le­no ante­ri­or­men­te exis­ten­te. Além dis­so, os seus cata­li­sa­do­res pro­du­zi­ram o novo poli­e­ti­le­no a ape­nas algu­mas cen­te­nas de psi de pres­são em vez do pro­ces­so radi­cal livre exis­ten­te, que exi­gia pres­sões de até 30.000 psi.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1921, o físi­co nucle­ar ame­ri­ca­no Her­bert F. York. Ele ini­ci­ou a inves­ti­ga­ção cien­tí­fi­ca em apoio à defe­sa naci­o­nal em 1943, quan­do come­çou a tra­ba­lhar em Oak Rid­ge, Ten­nes­see, na sepa­ra­ção elec­tro­mag­né­ti­ca do urâ­nio 235, como par­te do Pro­jec­to Manhat­tan duran­te a II Guer­ra Mun­di­al. Em 1952, tor­nou-se o pri­mei­ro direc­tor do Labo­ra­tó­rio Lawren­ce Liver­mo­re. Saiu em Mar 1958 para se jun­tar ao Depar­ta­men­to de Defe­sa como cien­tis­ta che­fe da Agên­cia de Pro­jec­tos de Inves­ti­ga­ção Avan­ça­da, e rapi­da­men­te se tor­nou o direc­tor de inves­ti­ga­ção e enge­nha­ria do Depar­ta­men­to de Defe­sa (Dez. 1958). Regres­sou à Uni­ver­si­da­de da Cali­fór­nia em 1961, como chan­ce­ler e pro­fes­sor de Físi­ca. Foi nego­ci­a­dor prin­ci­pal para a proi­bi­ção total de tes­tes duran­te a admi­nis­tra­ção Carter.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1925, o enge­nhei­ro e físi­co holan­dês Simon van der Meer. Ele, em con­jun­to com o físi­co ita­li­a­no Car­lo Rub­bia, des­co­briu a par­tí­cu­la W e a par­tí­cu­la Z ao coli­dir pro­tões e anti­pro­tões, para os quais ambos os homens par­ti­lha­ram o Pré­mio Nobel da Físi­ca. Estas par­tí­cu­las suba­tó­mi­cas (uni­da­des de maté­ria meno­res que um áto­mo) trans­mi­tem a fra­ca for­ça nucle­ar, uma das qua­tro for­ças fun­da­men­tais na natu­re­za. A des­co­ber­ta apoi­ou a teo­ria uni­fi­ca­da do elec­trowe­ak apre­sen­ta­da nos anos 70. Tra­ba­lhan­do no CERN na Suí­ça, Van der Meer melho­rou a con­cep­ção dos ace­le­ra­do­res de par­tí­cu­las uti­li­za­dos, pro­du­zin­do coli­sões entre fei­xes de par­tí­cu­las suba­tó­mi­cas. Inven­tou um dis­po­si­ti­vo que moni­to­ri­za­ria e ajus­ta­ria o fei­xe de par­tí­cu­las com cam­pos mag­né­ti­cos cor­rec­to­res, atra­vés de um sis­te­ma de “kic­kers” colo­ca­dos em tor­no do anel do acelerador.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1926, o físi­co nor­te-ame­ri­ca­no nas­ci­do na Chi­na Tsung-Dao Lee. Ele rece­beu (com Chen Ning Yang) o Pré­mio Nobel da Físi­ca de 1957 pela sua “inves­ti­ga­ção pene­tran­te” das vio­la­ções do prin­cí­pio da con­ser­va­ção da pari­da­de (a qua­li­da­de da sime­tria de refle­xão espa­ci­al das inte­rac­ções das par­tí­cu­las suba­tó­mi­cas), o que levou a impor­tan­tes des­co­ber­tas sobre as par­tí­cu­las ele­men­ta­res. A con­ser­va­ção da pari­da­de tinha sido ante­ri­or­men­te con­si­de­ra­da como uma “lei” da natu­re­za. (A pari­da­de sus­ten­ta que as leis da físi­ca são as mes­mas num sis­te­ma de coor­de­na­das à direi­ta do que num sis­te­ma à esquer­da). A teo­ria foi pos­te­ri­or­men­te con­fir­ma­da expe­ri­men­tal­men­te por Chi­en-Shiung Wu em obser­va­ções de deca­dên­cia beta.

Por fim, faz hoje anos que nas­cia, em 1944, o cien­tis­ta atmos­fé­ri­co indi­a­no Vee­rabha­dran Rama­nathan. Ele des­co­briu a “Nuvem Cas­ta­nha Asiá­ti­ca” — cama­das erran­tes de polui­ção atmos­fé­ri­ca tão lar­gas como um con­ti­nen­te e mais pro­fun­das do que o Grand Canyon. As par­tí­cu­las escu­ras nes­tas nuvens cas­ta­nhas podem redu­zir a pre­ci­pi­ta­ção, secar a super­fí­cie do pla­ne­ta, arre­fe­cer os tró­pi­cos e redu­zir a luz solar — Glo­bal Dim­ming. Em 1975, o Rama­nathan foi o pri­mei­ro a demons­trar que os CFC são gases com efei­to de estu­fa impor­tan­tes. Os seus cál­cu­los mos­tra­ram que cada molé­cu­la de CFC na atmos­fe­ra con­tri­bui mais para o efei­to de estu­fa que mais de 10.000 molé­cu­las de dió­xi­do de car­bo­no. Nos anos 80, lide­rou um estu­do que des­co­briu nume­ro­sos gases ves­ti­gi­ais que con­tri­bu­em para o aque­ci­men­to glo­bal, e um estu­do da NASA que demons­trou que as nuvens tinham um efei­to líqui­do de arre­fe­ci­men­to glo­bal no planeta”.

Em 1639, Jere­mi­ah Hor­rocks, astró­no­mo e sacer­do­te inglês, mediu um trân­si­to de Vénus, o pri­mei­ro de sem­pre a ser obser­va­do. Apli­can­do a pre­vi­são de Kepler de que em 1631, Vénus tran­si­ta­ria pelo Sol, Hor­rocks cal­cu­lou que estes trân­si­tos não ocor­re­ram iso­la­da­men­te, mas em pares, com oito anos de dife­ren­ça. Assim, Hor­rocks pre­pa­rou o seu equi­pa­men­to para o trân­si­to seguin­te que tinha assim pre­vis­to para este dia. O seu sim­ples teles­có­pio foi mon­ta­do numa tra­ve de madei­ra, para que pudes­se pro­jec­tar uma ima­gem solar sobre um peda­ço de papel mar­ca­do com um cír­cu­lo gra­du­a­do de seis pole­ga­das. A par­tir dis­to, ele fez medi­ções e cal­cu­lou que o valor para o para­la­xe solar era menor do que ante­ri­or­men­te regis­ta­do, e assim con­cluiu que o Sol esta­va mais lon­ge da Ter­ra do que ante­ri­or­men­te se pensava.

Em 1859, The Ori­gin of Spe­ci­es by Means of Natu­ral Selec­ti­on, o livro pio­nei­ro de Darwin, foi publi­ca­do em Ingla­ter­ra para gran­de acla­ma­ção. O natu­ra­lis­ta bri­tâ­ni­co Char­les Darwin deta­lhou as pro­vas cien­tí­fi­cas que tinha reco­lhi­do des­de a sua via­gem no Bea­gle, nos anos 1830. Ele apre­sen­tou a sua ideia de que as espé­ci­es são o resul­ta­do de uma evo­lu­ção bio­ló­gi­ca gra­du­al na qual a natu­re­za enco­ra­ja, atra­vés da selec­ção natu­ral, a pro­pa­ga­ção das espé­ci­es mais ade­qua­das aos seus ambi­en­tes. Tinha sido leva­do a publi­car nes­ta altu­ra por Char­les Lyell, que o acon­se­lhou que Alfred Rus­sel Wal­la­ce, um natu­ra­lis­ta que tra­ba­lha no Bor­néu, se apro­xi­ma­va das mes­mas con­clu­sões. Lyell acre­di­ta­va que Darwin deve­ria publi­car sem mais demo­ra para esta­be­le­cer a prioridade.

Na News­let­ter des­ta sema­na apre­sen­ta­mos diver­sas noti­ci­as, arti­gos cien­tí­fi­cos, pro­je­tos de maker e alguns víde­os inte­res­san­tes. É apre­sen­ta­da a revis­tar Mag­PI nº 124 de Dezembro.