Newsletter Nº365

Newsletter Nº365
News­let­ter Nº365

Faz hoje anos que nas­cia, em 1753, o quí­mi­co e físi­co expe­ri­men­tal ale­mão Franz Karl Achard. Ele inven­tou um pro­ces­so para a extrac­ção em gran­de esca­la de açú­car de mesa (saca­ro­se) da beter­ra­ba, e em 1801, abriu a pri­mei­ra fábri­ca de beter­ra­ba, na Silé­sia (actu­al­men­te Poló­nia). No iní­cio, embo­ra sim­ples, o méto­do era dis­pen­di­o­so, melhorou‑o uti­li­zan­do suges­tões do Ins­ti­tu­to em Fran­ça, incluin­do que as beter­ra­bas fos­sem pren­sa­das sem serem cozi­nha­das, o que pou­pou mui­tas des­pe­sas de com­bus­tí­vel. Ele tinha suce­di­do Andre­as Sigis­mund Marg­gra­fu­pon na sua mor­te (1782) como direc­tor da “Clas­se de Físi­ca” na Aca­de­mia de Ber­lim. Foi Marg­graf que des­co­briu pela pri­mei­ra vez a pre­sen­ça de açú­car na raiz da beter­ra­ba, e isolou‑a numa esca­la expe­ri­men­tal em 1747. Achard des­co­briu tam­bém um méto­do para tra­ba­lhar a pla­ti­na e foi o pri­mei­ro a pre­pa­rar um cadi­nho de pla­ti­na (1784).

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1831, o físi­co e mate­má­ti­co esco­cês Peter Tait. Ele aju­dou a desen­vol­ver qua­ter­ni­ons, que pro­mo­veu for­te­men­te, e escre­veu um tra­ta­do padrão sobre o assun­to. O seu tra­ba­lho aju­dou a fazer avan­çar a físi­ca mate­má­ti­ca moder­na. Tait fez mui­to tra­ba­lho expe­ri­men­tal em ter­mo­di­nâ­mi­ca, e apre­sen­tou uma série de arti­gos sobre a teo­ria ciné­ti­ca dos gases (1886–92). Dos seus mui­tos livros sobre físi­ca, o seu mais conhe­ci­do foi co-autor com Wil­li­am Thom­son (mais tar­de Lord Kel­vin), um livro de físi­ca mate­má­ti­ca, Tre­a­ti­se on Natu­ral Phi­lo­sophy (1876). Para além de inves­ti­gar o ozo­no, gases e elec­tri­ci­da­de, Tait cri­ou um apa­re­lho para emi­tir gran­des anéis de vór­ti­ce de fumo está­veis. A par­tir de outros tra­ba­lhos expe­ri­men­tais, cons­truiu mode­los mate­má­ti­cos do voo de uma bola de golfe.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1854, a enge­nhei­ra elec­tro­téc­ni­ca, inven­to­ra e mate­má­ti­ca ingle­sa Hertha Ayr­ton. Ela inven­tou um esfig­mó­gra­fo (um dis­po­si­ti­vo que tra­ça bati­das de pul­so, embo­ra não o pri­mei­ro), um divi­sor de linhas (um ins­tru­men­to de dese­nho para divi­dir uma linha num deter­mi­na­do núme­ro de par­tes iguais, 1884) e um ven­ti­la­dor anti-gás (flap­per) uti­li­za­do duran­te a Pri­mei­ra Guer­ra Mun­di­al. Come­çou a tra­ba­lhar com Wil­li­am Ayr­ton, com quem se casou pos­te­ri­or­men­te (1884). Reto­man­do o inte­res­se do seu mari­do em expe­ri­ên­ci­as de arco eléc­tri­co, Hertha con­ce­beu melho­ri­as que tor­na­ram as luzes de arco mais silen­ci­o­sas e mais fiá­veis. Ela publi­cou The Elec­tric Arc (1902). Como mulher, foi-lhe nega­da uma licen­ci­a­tu­ra de Cam­brid­ge, e no iní­cio recu­sou-se a ser mem­bro da Royal Soci­ety (1902).

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1900, o físi­co e astró­no­mo holan­dês Jan Oort. Ele foi uma das figu­ras mais impor­tan­tes nos esfor­ços do sécu­lo XX para com­pre­en­der a natu­re­za da galá­xia da Via Lác­tea, que mediu a rota­ção da galá­xia da Ter­ra e for­mu­lou a hipó­te­se de uma “Nuvem de Oort”. Em 1927 Oort ana­li­sou movi­men­tos de estre­las dis­tan­tes, encon­trou pro­vas de rota­ção dife­ren­ci­al e fun­dou a teo­ria mate­má­ti­ca da estru­tu­ra galác­ti­ca. Após a Segun­da Guer­ra Mun­di­al, lide­rou o gru­po holan­dês que uti­li­zou a linha de 21 cm para mape­ar o gás hidro­gé­nio na Galá­xia. Encon­tra­ram a estru­tu­ra espi­ral em gran­de esca­la, o cen­tro galác­ti­co, e os movi­men­tos das nuvens de gás. Em 1950 Oort propôs o mode­lo ago­ra geral­men­te acei­te para a ori­gem dos cometas.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1906, o mate­má­ti­co Kurt Gödel. Ele é conhe­ci­do pela sua pro­va dos Teo­re­mas de Incom­ple­tu­de de Gödel (1931) Ele pro­vou resul­ta­dos fun­da­men­tais sobre sis­te­mas axi­o­má­ti­cos, mos­tran­do que em qual­quer sis­te­ma mate­má­ti­co axi­o­má­ti­co exis­tem pro­pos­tas que não podem ser pro­va­das ou refu­ta­das den­tro dos axi­o­mas do sis­te­ma. Em par­ti­cu­lar, a con­sis­tên­cia dos axi­o­mas não pode ser pro­va­da. Isto pôs fim a uma cen­te­na de anos de ten­ta­ti­vas de esta­be­le­cer axi­o­mas para colo­car toda a mate­má­ti­ca numa base axiomática.

Por fim, faz hoje anos que nas­cia, em 1916, o inven­tor, mecâ­ni­co e enge­nhei­ro ita­li­a­no [Fer­ruc­cio Lamborghini](https://en.wikipedia.org/wiki/Ferruccio_Lamborghini). Ele tra­ba­lhou como mecâ­ni­co no exér­ci­to ita­li­a­no duran­te a Segun­da Guer­ra Mun­di­al, e após a guer­ra fun­dou uma empre­sa de trac­to­res. Ele fun­dou uma empre­sa auto­mó­vel de luxo que pro­du­ziu alguns dos car­ros des­por­ti­vos mais rápi­dos, mais caros e mais pro­cu­ra­dos do mundo.

Em 1926, o ter­mo “mecâ­ni­ca das ondas” foi cunha­do pelo físi­co nucle­ar Erwin Schrö­din­ger numa car­ta que ele envi­ou a Albert Eins­tein. O ter­mo foi apli­ca­do ao novo ramo emer­gen­te da físi­ca que inter­pre­ta o com­por­ta­men­to das par­tí­cu­las suba­tó­mi­cas de acor­do com uma des­cri­ção mate­má­ti­ca em ter­mos de um movi­men­to ondulatório.

Nes­ta sema­na que pas­sou o heli­cóp­te­ro Inge­nuity da NASA ins­pec­ci­o­nou recen­te­men­te tan­to o pára-que­das que aju­dou o rover Per­se­ve­ran­ce a ater­rar em Mar­te, como a con­cha em for­ma de cone que pro­te­gia o veí­cu­lo no espa­ço pro­fun­do e duran­te a sua des­ci­da em cha­mas em direc­ção à super­fí­cie mar­ci­a­na. A entra­da, des­ci­da e ater­ra­gem em Mar­te é rápi­da e stres­san­te, não só para os enge­nhei­ros de vol­ta à Ter­ra, mas tam­bém para o veí­cu­lo que supor­ta as for­ças gra­vi­ta­ci­o­nais, altas tem­pe­ra­tu­ras e outros extre­mos que vêm com a entra­da na atmos­fe­ra de Mar­te a qua­se 20.000 km/h. O pára-que­das e a con­cha de trás foram pre­vi­a­men­te imer­sos à dis­tân­cia pelo rover Perseverance.

Tam­bém nes­ta sema­na que pas­sou, a Spa­ceX lan­çou o fogue­tão Fal­con 9 trans­por­tan­do a nave Dra­gon com a equi­pa Crew‑4 de astro­nau­tas, a par­tir do Cen­tro Espa­ci­al Ken­nedy da NASA, na Flo­ri­da, em dire­ção à Esta­ção Espa­ci­al Inter­na­ci­o­nal. A tri­pu­la­ção inter­na­ci­o­nal Esta News­let­ter encon­tra-se mais uma vez dis­po­ní­vel no sis­te­ma docu­men­ta do altLab. Todas as News­let­ters encon­tram-se inde­xa­das no link.de astro­nau­tas ser­vi­rá como a quar­ta mis­são comer­ci­al de rota­ção da tri­pu­la­ção a bor­do da Esta­ção Espa­ci­al. Os últi­mos dias no Ken­nedy Spa­ce Cen­ter têm sido ins­pi­ra­do­res e ocu­pa­dos com o regres­so da tri­pu­la­ção da Axi­om e ago­ra o lan­ça­men­to bem suce­di­do dos astro­nau­tas Crew‑4 para a Esta­ção Espa­ci­al Inter­na­ci­o­nal. Este é o quin­to voo Spa­ceX com astro­nau­tas da NASA — incluin­do o voo de tes­te Demo‑2 em 2020 para a esta­ção espa­ci­al — como par­te do Pro­gra­ma de Tri­pu­la­ção Comer­ci­al da agência.

Na News­let­ter des­ta sema­na apre­sen­ta­mos diver­sas noti­ci­as, arti­gos cien­tí­fi­cos, pro­je­tos de maker e alguns víde­os inte­res­san­tes. É apre­sen­ta­da a revis­ta Hacks­pa­ce nº54 de Maio assim como o Ser­vi­ce Manu­al do ZX Spec­trum que faz 40 anos esta sema­na que foi lançado.

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