Newsletter Nº225

Newsletter Nº225
News­let­ter Nº225

Faz hoje anos que nas­cia, em 1647, Denis Papin. Este físi­co fran­co-inglês inven­tou a pane­la de pres­são em 1679. Ele aju­dou o físi­co holan­dês Chris­ti­a­an Huy­gens com expe­ri­ên­ci­as de bom­be­a­men­to de ar e foi para Lon­dres em 1675 para tra­ba­lhar com o físi­co inglês Robert Boy­le. Alguns anos depois, Papin inven­tou a sua pane­la de pres­são, um reci­pi­en­te fecha­do com uma tam­pa bem jus­ta que con­fi­na­va o vapor a uma pres­são mais alta, ele­van­do con­si­de­ra­vel­men­te o pon­to de ebu­li­ção da água. Uma vál­vu­la de segu­ran­ça de sua pró­pria inven­ção impe­dia explo­sões. Obser­van­do que o vapor fecha­do no seu fogão ten­dia a levan­tar a tam­pa, Papin con­ce­beu o uso de vapor para acci­o­nar um pis­tão num cilin­dro, o pro­jec­to bási­co para os pri­mei­ros moto­res a vapor. Ele nun­ca cons­truiu um motor pró­prio, mas sua ideia foi melho­ra­da por outros e levou ao desen­vol­vi­men­to da máqui­na a vapor, uma con­tri­bui­ção impor­tan­te para a Revo­lu­ção Indus­tri­al.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1771, Henry Mauds­lay. Este enge­nhei­ro bri­tâ­ni­co foi o inven­tor do tor­no de metal e de outros dis­po­si­ti­vos. Mauds­lay foi apren­diz do ser­ra­lhei­ro Joseph Bra­mah e logo se tor­nou seu capa­taz. Quan­do ele saiu para tra­ba­lhar por con­ta pró­pria, o pri­mei­ro empre­go de Mauds­lay foi a cons­tru­ção de maqui­na­ria para a fábri­ca de poli­as navais de Sir Marc Isam­bard Bru­nel. Atra­vés de três déca­das duran­te a Revo­lu­ção Indus­tri­al, Mauds­lay inven­tou vári­as máqui­nas impor­tan­tes, mas de todas o tor­no de metal é par­ti­cu­lar­men­te notá­vel. Ele tam­bém inven­tou méto­dos para impri­mir teci­dos de chi­ta e para des­sa­li­ni­zar a água do mar para cal­dei­ras de navi­os. Ele aper­fei­ço­ou uma máqui­na de medi­ção com pre­ci­são de 0,0001 pole­ga­da e pro­du­ziu para sua ofi­ci­na padrões pre­ci­sos.

Faz igual­men­te hoje anos que nas­cia, em 1867, Char­les Fran­cis Jen­kins. Este nor­te-ame­ri­ca­no foi o inven­tor do altí­me­tro, o motor de arran­que do auto­mó­vel e de um copo em for­ma de cone, mas é conhe­ci­do espe­ci­al­men­te como um pio­nei­ro da tele­vi­são. Em maio de 1920, na reu­nião de Toron­to da Soci­ety of Moti­on Pic­tu­re Engi­ne­ers, Jen­kins apre­sen­tou seus “anéis pris­má­ti­cos” como um dis­po­si­ti­vo para subs­ti­tuir o obtu­ra­dor num pro­jec­tor de fil­mes. Esta inven­ção lan­çou as bases para sua pri­mei­ra trans­mis­são de radi­o­di­fu­são. Ele ale­gou ter trans­mi­ti­do as pri­mei­ras ima­gens de silhu­e­tas em movi­men­to em 14 de Junho de 1923, mas sua pri­mei­ra demons­tra­ção públi­ca delas não ocor­reu até Junho de 1925. Jen­kins Labo­ra­to­ri­es cons­truiu um trans­mis­sor de radi­o­frequên­cia, W3XK, em Washing­ton DC a esta­ção de ondas cur­tas come­çou a trans­mi­tir radio-fil­mes em todo o les­te dos EUA numa base regu­lar em 2 de Julho de 1928.

Faz tam­bém hoje anos que nas­cia, em 1915, James Hil­li­er. Este físi­co cana­di­a­no-ame­ri­ca­no foi o pes­qui­sa­dor pio­nei­ro do micros­có­pio elec­tró­ni­co. Com Albert Pre­bus, ele cons­truiu o pri­mei­ro micros­có­pio elec­tró­ni­co de suces­so na Amé­ri­ca do Nor­te (1939–40). As 41 paten­tes que ele deti­nha incluíam ino­va­ções em téc­ni­cas de difrac­ção de elec­trões, sec­ções ultra-finas e bac­te­ri­o­ló­gi­cas. Para fazer a ima­gem de mate­ri­ais como célu­las san­guí­ne­as ou bac­té­ri­as sem des­truí-los com o fei­xe de elec­trões, Hil­li­er e outros desen­vol­ve­ram méto­dos de pre­pa­ra­ção usan­do um fil­me coloi­dal para pro­te­ger as amos­tras. Ele tra­ba­lhou para a RCA des­de 1940 por 37 anos. Ele con­ti­nu­ou a melho­rar o dese­nho e comer­ci­a­li­zou o micros­có­pio elec­tró­ni­co para ins­ti­tui­ções de pes­qui­sa em todo o mun­do. Em 1958, tor­nou-se direc­tor dos labo­ra­tó­ri­os de pes­qui­sa da empre­sa em Prin­ce­ton. Na déca­da de 1960, quan­do a RCA ter­mi­nou sua fabri­ca­ção de micros­có­pi­os elec­tró­ni­cos, cer­ca de 2.000 tinham sido ven­di­dos.

Por fim, faz hoje anos que nas­cia, em 1943, Masa­toshi Shi­ma. Este enge­nhei­ro elec­tro­téc­ni­co japo­nês foi um dos dese­nha­do­res do pri­mei­ro micro­pro­ces­sa­dor do mun­do, o Intel 4004, pro­du­zin­do o dese­nho ini­ci­al de três chips da Busi­com em 1968, antes de tra­ba­lhar com Ted Hoff, Stan­ley Mazor e Fede­ri­co Fag­gin da Intel no pro­jec­to final de CPU de um úni­co chip. Mais tar­de, ele foi tra­ba­lhar para a Intel em 1972. Lá, ele tra­ba­lhou com Fag­gin para desen­vol­ver o CPU Intel 8080, lan­ça­do em 1974. Shi­ma então desen­vol­veu vári­os chips Intel para peri­fé­ri­cos, alguns usa­dos no IBM PC, como o con­tro­la­dor de inter­rup­ção 8259, chip de por­ta para­le­la 8255, o chip tem­po­ri­za­dor 8253, o chip de DMA 8257 e o chip USART de comu­ni­ca­ção serie 8251. Pos­te­ri­or­men­te ele foi para a Zilog, onde tra­ba­lhou com Fag­gin para desen­vol­ver o Zilog Z80 (1976) e o Z8000 (1979).

Nes­ta sema­na que pas­sou a empre­sa de inte­li­gên­cia arti­fi­ci­al Cere­bras apre­sen­tou o pro­ces­sa­dor mais poten­te do mun­do cons­truí­do até hoje. Na con­fe­ren­cia Hot Chips rea­li­za­da na uni­ver­si­da­de de Stan­ford, a empre­sa Cere­bras apre­sen­tou uma mara­vi­lha da tec­no­lo­gia moder­na. Há tan­tas coi­sas que tor­nam a solu­ção da Cere­bras úni­ca que é difí­cil saber por onde come­çar. A Cere­bras supe­rou mui­tos desa­fi­os de dese­nho, fabri­ca­ção e emba­la­gem para desen­vol­ver uma solu­ção em esca­la de wafer cha­ma­da Wafer Sca­le Engi­ne (WSE). Isto sig­ni­fi­ca que o dese­nho usa todo o espa­ço uti­li­zá­vel da pas­ti­lha de silí­cio como um úni­co chip ou pla­ta­for­ma. A mai­o­ria dos chips é fei­ta colo­can­do 10 ou 100 uni­da­des de um chip num wafer e depois cor­tan­do o wafer em fichas indi­vi­du­ais. Usar um wafer intei­ro como um úni­co chip foi ten­ta­do em outras apli­ca­ções, mas foi aban­do­na­do por pro­ble­mas de cus­to e ren­di­men­to. Um úni­co wafer de 300 mm pode cus­tar deze­nas de milha­res de dóla­res para pro­du­zir. No entan­to, a menor par­tí­cu­la de poei­ra ou imper­fei­ção na fabri­ca­ção pode cau­sar a falha de uma par­te de um chip e, mui­tas vezes, a falha de todo o chip. Fabri­car uma bola­cha intei­ra sem um erro é impos­sí­vel, mas a Cere­bras encon­trou uma manei­ra de con­tor­nar isso. O Cere­bras WSE é fei­to de 84 blo­cos de pro­ces­sa­men­to, seme­lhan­tes aos chips indi­vi­du­ais, e cada blo­co tem núcle­os de pro­ces­sa­dor, memó­ria e E / S redun­dan­tes. Quan­do uma par­te de um blo­co falha, as fun­ções extras são subs­ti­tuí­das em seu lugar por meio de fer­ra­men­tas de soft­ware, fazen­do com que pare­ça um blo­co total­men­te fun­ci­o­nal. Como resul­ta­do, a empre­sa pode teo­ri­ca­men­te ter 100% de ren­di­men­to de todas as peças em um wafer e todas as wafers pro­du­zi­das. No entan­to, a fabri­ca­ção é ape­nas uma par­te da equa­ção. Outra ques­tão é o desa­fio de for­ne­cer ener­gia e arre­fe­ci­men­to a uma solu­ção intei­ra em esca­la de bola­cha. Com 400.000 núcle­os de pro­ces­sa­dor pro­gra­má­veis, 18 GB de memó­ria e um teci­do no chip capaz de 25 peta­bits, o WSE é com­pos­to por 1,2 biliões de tran­sís­to­res em 46.225 mm² de silí­cio (por con­tras­te, é 56x mai­or que o mai­or GPU para IA — o NVIDIA GV100 — que é 815 mm²). Além dis­so, o WSE gas­ta cer­ca de 15kW. O fabri­co foi fei­to pela TSMC que usou o pro­ces­so de 16nm.

Tam­bém esta sema­na que pas­sou a nave espa­ci­al indi­a­na Chandrayaan‑2 tirou a sua pri­mei­ra foto­gra­fia lunar depois de ter entra­do com suces­so na sua órbi­ta. A foto­gra­fia foi tira­da de cer­ca de 2.650 qui­ló­me­tros aci­ma da super­fí­cie lunar na quar­ta-fei­ra (21 de Agos­to). A foto­gra­fia mos­tra par­te do outro lado da lua, incluin­do a cra­te­ra Apol­lo e a Mare Ori­en­ta­lis. Fun­ci­o­ná­ri­os da Orga­ni­za­ção de Pes­qui­sa Espa­ci­al Indi­a­na (ISRO) dis­se­ram que a ope­ra­ção cor­reu bem e que a nave espa­ci­al Chandrayaan‑2 deve colo­car sua son­da na super­fí­cie da lua no iní­cio de Setem­bro.

Na News­let­ter des­ta sema­na apre­sen­ta­mos diver­sos pro­je­tos de maker. É tam­bém apre­sen­ta­da a revis­ta Hacks­pa­ce Maga­zi­ne de Setem­bro.

Esta News­let­ter encon­tra-se mais uma vez dis­po­ní­vel no sis­te­ma docu­men­ta do altLab. Todas as News­let­ters encon­tram-se inde­xa­das no link.